Mecânica do caminhão: as 8 principais dúvidas respondidas!

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Aqueles que passam a maior parte do tempo nas estradas sabem que cada quilômetro rodado significa um pouco mais de experiência. Entre uma parada e outra, novos conhecimentos também são adquiridos, principalmente sobre a mecânica de caminhão.

Por outro lado, algumas práticas rotineiras não acompanharam a evolução dos veículos. Diversos mitos que não ajudam na manutenção e conservação dos caminhões se perpetuaram. Exatamente por esse motivo, separamos para você as respostas para as dúvidas mais importantes sobre mecânica de caminhão. Confira!

1. Trafegar desengrenado economiza combustível?

Não! Utilizar o ponto morto (“banguela”) na verdade aumenta o consumo, já que os bicos injetores continuam liberando combustível para manter o giro do motor. Atualmente, o sistema de injeção é programado para reduzir ou zerar o gasto de combustível durante o uso do freio motor. Isso acontece porque o sistema é inteligente e percebe que você não está acelerando.    

2. Usar o freio motor danifica o caminhão?

Usar o freio motor durante as descidas significa diminuir o gasto de diesel, garantir a segurança e preservar as peças do caminhão. Descartar este recurso acentua o desgaste das lonas e tambores e causa o superaquecimento dos freios (fading) devido à sobrecarga.

Além disso, usar o freio motor não aumenta a temperatura do motor, não impede a circulação de óleo devido ao aumento da pressão e não danifica os coletores de escapamento. Portanto é indispensável usá-lo.

3. Vale a pena usar aditivo no sistema de arrefecimento?

Sim! O aditivo transforma as propriedades da água para aumentar os intervalos de vaporização ou congelamento. Além de ser o grande responsável pela redução do aquecimento, o líquido diminui consideravelmente a corrosão (ferrugem) do sistema de arrefecimento devido à sua composição.

4. A válvula termostática pode ser retirada?

A função da válvula termostática é controlar o fluxo do líquido do sistema de arrefecimento. Ou seja, fazer com que a água e o aditivo consigam circular na medida certa entre o motor e o radiador. Quando o motor está superaquecido, o líquido é resfriado no radiador. Na situação inversa (motor frio), a válvula retém o líquido no motor para que ele se aqueça mais rapidamente.

Antigamente, os defeitos nesta peça não eram raros. Entretanto, isso ficou para trás. Agora, ela funciona perfeitamente e não deve ser retirada em hipótese alguma. Quando o caminhão funciona sem a válvula, a capacidade de arrefecimento pode ser reduzida à metade, pois não há nenhum controle do fluxo do líquido.

5. Aplicar óleo no chassi evita a corrosão?  

Aplicar óleo de mamona à estrutura do caminhão após a lavagem ainda é um costume entre os motoristas. Muitos condutores acreditam que ao fazer isso é possível eliminar ou reduzir a ferrugem. Esse é um dos principais mitos que circulam na estrada.

O óleo aumenta o acúmulo de todo tipo de impurezas no chassi, gera uma goma difícil de retirar e o pior, resseca as peças emborrachadas, como mangueiras e vedações. O ideal é manter a estrutura limpa. Vale lembrar que a pintura do chassi é realizada com tinta anticorrosiva, o que dispensa o uso do óleo.

6. Aquecer o caminhão é necessário?

Aquecer o motor antes de iniciar as viagens é outra tradição que perdeu o fundamento com a evolução dos caminhões. Antigamente, aquecer o motor era necessário para que os fluidos pudessem circular pelo motor, transmissão e demais peças. O mesmo ocorria com o sistema de carburação. Nessa época, era necessário encher o carburador de combustível antes de partir.

Desde o final dos anos 80, os caminhões brasileiros passaram a contar com o sistema de injeção eletrônica. Os lubrificantes também foram aprimorados, tornando-se mais viscosos. A mecânica de caminhão passou por diversas alterações e evoluiu bastante. Portanto, essa prática não é mais necessária.

O caminhão será aquecido naturalmente ao iniciar o movimento. Quando parado, diversos itens não recebem o calor necessário, por exemplo, freios, embreagens, eixo traseiro e transmissão. O recomendável é que o motor seja ligado aproximadamente 3 minutos antes do deslocamento para que os sistemas de ar e freio se encham.

7. É preciso acelerar ao ligar e desligar o motor?

Outro costume herdado do tempo dos caminhões carburados, quando acelerar ao desligar era indispensável para encher a cuba do carburador, uma das peças responsáveis pela partida do motor. Acreditava-se também que acelerar ao ligar o veículo servia para reduzir o tempo de lubrificação do motor e dos demais componentes.

Agora, a verdade é outra! Acelerar ao ligar e desligar o motor aumenta o consumo de combustível, prejudica o motor e as turbinas. Após ligar o veículo, o lubrificante impulsionado pela bomba leva um pequeno período para alcançar a parte de cima do motor.

Quando você acelera logo após a partida, o motor funcionará sem a lubrificação necessária. O mesmo vale para as turbinas. Pisar no acelerador e desligar o motor imediatamente interrompe o funcionamento da bomba de óleo. Logo, as turbinas seguem girando sem lubrificação até a parada total. Continuar com esse hábito aumenta o desgaste de muitos componentes do motor.  

8. Os pneus devem estar frios antes da calibragem?

Sim! Os pneus devem ser calibrados em temperatura padrão (21º C). Ou seja, após 4 horas contadas a partir da parada do veículo. Durante o tráfego, os pneus são aquecidos e isso causa o aumento da pressão interna. Um pneu com 95lb/pol2 pode alcançar facilmente a pressão de 105lb/pol2 após percorrer alguns quilômetros.

Isso significa que só será possível verificar a pressão real e calibrar corretamente os pneus quando eles estiverem frios e utilizando um calibrador aferido. Não se esqueça que manter a calibragem certa nos pneus é necessário para evitar o desgaste precoce e a falta de estabilidade.  

Como você pôde perceber, muita coisa mudou nos últimos anos. Para cuidar da saúde do seu companheiro de trabalho e evitar os acidentes, é fundamental conhecer a mecânica de caminhão e ficar atento às transformações dessas máquinas.

A manutenção preventiva e o conhecimento são dois grandes aliados dos caminhoneiros. Para circular com tranquilidade pelas rodovias do Brasil, respeite os limites de velocidade, carga e lembre-se de atentar para os sinais de desgaste do veículo. Quando algo atípico acontecer, o melhor é parar e consertar. Insistir e continuar a viagem pode, muitas vezes, aumentar o prejuízo ou colocar o motorista e o carona em risco.

Pronto! Agora você já sabe as respostas para as 8 principais perguntas relacionadas à mecânica de caminhão. O que acha de descobrir como fazer a gestão das manutenções dos caminhões da sua empresa? Leia o nosso artigo!

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