Vida de caminhoneiro: Adair Broering e as estradas do Brasil

6 minutos para ler
spotify scaniaPowered by Rock Convert

Do Rio de Janeiro até Belém do Pará dá um pouco mais de 3.000 quilômetros de estrada. Para quem não está acostumado com a vida de caminhoneiro, parece ser muito chão para rodar. Mas, com 36 anos de profissão, posso dizer: é só mais uma parte do meu caminho.

A história de um caminhoneiro começa cedo, pelo menos, no meu caso, foi assim. Depois de sair da roça, fui empurrar carretinha de produtos no CEASA em Anitápolis. Dali, fui para a estrada. Tirei minha habilitação e comecei a dirigir caminhões para os outros até comprar o meu.

Acho que sou meio atrapalhado ou tímido, pois não consigo descrever a sensação de orgulho e gratidão em conseguir comprar meu primeiro caminhão. Dirigi-lo pela estrada que posso chamar de lar, então, é um sonho realizado.

Essa, aliás, é a outra forma de contar a história de um caminhoneiro, pelas carretas que ele teve o prazer de dirigir. Comigo, Adair Broering, brasileiro natural de Anitápolis, não é diferente.

Da carretinha do CEASA até minha sexta carreta Scania

Depois de empurrar uma carretinha ainda jovem para meu sustento, tirar minha habilitação para caminhoneiro e trabalhar bastante até juntar meu dinheiro, pude comprar meu primeiro caminhão em 1995, um Scania.

Em 1998, repeti a escolha e troquei por outro. Em 2000, não foi diferente e, nessa altura da história, já podia ter a satisfação de ter dois caminhões. Não por luxo, mas por necessidade. Na estrada, cada viagem é uma história e nem sempre são só alegrias.

Ficar parado em pátio sem carga para voltar para o destino, ter que abastecer para poder estacionar em segurança nos postos da estrada, conviver com os riscos de assalto e perigos do trânsito, ter cuidado com as manutenções do caminhão, dentre outras situações, faz com que um segundo Scania seja necessário para continuar ganhando a vida como caminhoneiro.

Além disso, também tem o cansaço que todos os dias nos lembra que precisamos pensar em quando pararemos de rodar e deixaremos a estrada para os mais jovens. Meus cabelos brancos e meu casal de filhos, com mais de 20 anos, só reforçam que o meu momento de aposentadoria está chegando.

Sempre digo aos amigos que fiz na estrada que é fácil entrar na profissão, mas é difícil sair dela, ainda mais quando temos o caminhão certo como companheiro de viagem. Não tenho dúvidas de que meu Scania faz minha rotina mais agradável. Não é à toa que, em 2011, 2012 e 2016, continuei comprando outros caminhões da marca na Cavese. Ou seja, minha história tem a marca Scania do início ao fim.

O Scania fala com a gente

Sabe por que escolho sempre um Scania? Porque ele é um caminhão que fala com a gente. Sabemos seu nível de esforço pelo barulho do motor e pela pegada do volante. Ele também é seguro e de direção fácil. E isso é muito importante para o caminhoneiro.

O Scania faz isso como nenhum outro caminhão e, para completar, seu conforto é incomparável. Isso faz toda a diferença durante os 20 dias que levo para ir do Rio de Janeiro até Belém com cargas de poliestireno e lubrificantes, por exemplo.

Se o caminhoneiro não ouvir seu caminhão, a estrada cobra, fica mais complicada. E caminhoneiro experiente sabe que não é fácil, todo mundo tem uma história difícil para contar sobre a estrada ou o seu caminhão. Mas também temos histórias boas! Em algumas, até é difícil acreditar, mas nós estávamos lá para presenciar, afinal de contas, passamos a vida indo e vindo pelas rodovias do nosso Brasil.

Muitas histórias têm outros personagens também, pois encontramos muita gente boa nas paradas que viajamos. São andarilhos, garçonetes, donos de transportadoras, funcionários de postos de gasolina que, em poucas horas ou mesmo minutos, contam a sua vida e nos ensinam lições que todo mundo deveria aprender. Essa é a família que a estrada nos dá.

A família que a estrada nos dá

Tenho irmãos que também dirigiram caminhões, mas pararam. Meus filhos não seguiram minha profissão. Quando volto para Anitápolis, é por eles. Mas, quando saio de lá, é para abraçar a família que a estrada me deu.

Essa família não está apenas nas paradas e nas empresas em que faço transporte. Também está na Cavese e em todas as lojas de serviço que escolhi ao longo da minha profissão por me receberem de portas abertas e saberem valorizar o cliente honesto.

Conheço a Marilda da Cavese desde os anos 90. Mas também o Douglas e o Mateus, que me recebem com todo respeito e companheirismo. Nós precisamos disso, sabia? E essa relação de confiança e fidelidade que eles me deram só contribuiu para a realização das minhas conquistas.

É isso aí, não existe vitória maior para um caminhoneiro do que entrar em uma concessionária, fechar um bom negócio, sair com a carreta engatada e honrar cada uma das parcelas com o seu trabalho.

Essa é a grande conquista de um homem que veio da roça, não terminou o ensino médio, mas conseguiu comprar seus caminhões de qualidade Scania. A prova de que isso tem valor, aliás, está em cada vez que voltei à Cavese e fui tratado bem.

Chego sem ter que provar que tenho dinheiro, o negócio é justo e de acordo com o que eu posso pagar e saio de lá satisfeito, com um conjunto novo e pronto para rodar pela estrada.

Pela longa estrada, eu vou, estrada eu sou

Como diz a música de Almir Sater “Tocando em frente”, estrada eu sou. Meu coração de caminhoneiro bate mais forte com o ronco do motor, minha história também é contada em quilômetros que já percorri e uma boa parte das minhas melhores lembranças foi dentro de um Scania.

A vida de caminhoneiro é apaixonante e muito menos bruta do que alguns pensam. Com tudo que vemos e as histórias que ouvimos, nosso compromisso não é só de ligar regiões e fazer a distribuição da produção pelo país. Nas nossas carretas, levamos uma bagagem de companheirismo, humildade e perseverança.

“Um dia, a gente chega, e no outro, vai embora”. Almir Sater acerta novamente, pois é assim que pretendo continuar minha vida de caminhoneiro, dirigindo meu Scania até chegar a hora de estacionar e não sair mais.

O amor pela estrada pulsa na veia do caminhoneiro e queria que essa história viajasse pelo Brasil como eu faço no meu Scania. Então, que tal compartilhar com seus amigos das redes sociais?

Você também pode gostar

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.